27 de fev de 2010

ESTE É MEU CORPO

"Sabe, uma mulher pensando-se nunca é muito levada a sério. Por mais que você seja brilhante, uma filósofa. Por isso, é difícil você encontrar uma grande pensadora. A não ser algumas poucas, definitivas. Mas gozam um pouco delas. Nunca ninguém fala muito a sério. Falam das físicas, da madame Curie, por exemplo. Mas, quando entra no negócio do pensar, todo mundo põe um pé para trás. Então eu sempre senti que, digamos, a intensidade desse meu pensar era demasiado para o outro se posta numa mulher. Eu sentia, como ainda sinto, essa dificuldade de ser mulher. Como quando eu era jovem e diziam que eu era bonita demais para escrever o que escrevia e aí fiz tudo para enfeiar mesmo. Mas só agora estão realmente pensando no meu trabalho. Apesar destes 47 anos escrevendo sem parar..." assim falou Hilda Hist, a que alargou o território e teve me parido (uma entre todas as mães possíveis)

Por esses e outros motivos MÁS, sinto uma espécie de cócega de privilégio, uma luminescência que vai do amarelo ao vermelho, passando pelo rosa - sempre (sem nunca ter deixado de ser mulher). Era sempre preciso ter uma bola, por cima ou por baixo de tudo isso, para que ELES pudessem compreender/aceitar nossas maneiras: de que para VIVER SOB O FOGO é preciso exaltar-se. Algo que não tivesse descrito entre as dicotomias.

E sabendo que Hilda também disse sim (eternas vezes), hei de deitar-me entregue à paixão: fôlego de nossos rumos.

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