5 de mar. de 2011

A avó (canção do self)

"Rodeada por meus escudos, sou
eu:
Rodeada por meus filhos, sou
eu:
Rodeada pelo vácuo, sou
eu:
Eu sou o vácuo.
Eu sou o útero das recordações.
Eu sou a escuridão que desabrocha.
Eu sou a flor, primeira carne.
Em absoluta treva habito —
Ali vejo a criação multiplicar-se —
Ali, eu sei que começamos e terminamos
Apenas para começar de novo, mais uma vez —
Mais uma vez. Nessa escuridão, estou
Girando, girando rumo a um novo parto:
O de mim mesma — uma avó recém-nascida
Sou eu, sugando luz. Arco-íris
Serpente recobre-me, da cabeça aos pés,
Para que eu viva para todo o sempre, nesta
Forma ou em outra. A pele que ela
Deixa para trás brilha com
A indagação, com a resposta,
Com a promessa:
"Você se lembra de você?"
"Sou sempre mulher."
"Carne é flor, para sempre."
Entro nas trevas, para entrar no nascimento, Para vestir o Arco-íris, para ouvi-la Sibilando
audivelmente, claramente, no meu Ouvido interior: amor.
Estou girando numa espiral, rodopiando, Estou cantando este Cântico da Avó. Estou
lembrando para sempre, aquilo a que Pertencemos."
River Malcolm (retirado do livro Espelhos do Self)